A reforma deste camarote no Estádio Nacional Mané Garrincha parte de um gesto preciso: transformar profundamente o espaço existente a partir de intervenções mínimas, porém estrategicamente articuladas. A proposta dissolve a compartimentação original ao integrar as duas salas existentes, estabelecendo uma leitura contínua e fluida do ambiente.
O projeto equilibra aconchego, funcionalidade e expressão estética por meio de uma paleta material coesa, marcada pelo predomínio da madeira e por tons quentes que reforçam a sensação de acolhimento. O mobiliário atua como elemento estruturador do espaço, qualificando usos e promovendo conforto sem excessos formais. Cada peça contribui para uma atmosfera elegante e despretensiosa, alinhada a uma linguagem contemporânea com forte identidade brasiliense.
O novo forro metálico ripado configura-se como o principal elemento transformador. Além de redefinir a escala do ambiente, ajustando o pé-direito à experiência humana, ele estabelece um ritmo visual que organiza o espaço e incorpora de forma inteligente as instalações existentes. Sua modulação permite a manutenção técnica sem interferir na leitura arquitetônica, conciliando desempenho e expressão.
A integração com a infraestrutura original do estádio orienta decisões projetuais que privilegiam a eficiência e a discrição. As intervenções evitam rupturas, optando por sobreposições precisas que potencializam o que já existe. Nesse contexto, a iluminação e os elementos de apoio são incorporados de maneira sutil, reforçando a atmosfera e ampliando a percepção espacial.
O projeto busca ressignificar o lugar, através de uma arquitetura precisa e silenciosa.
CAMAROTE MANÉ GARRINCHA
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Localização: Brasília, Brasil
Área construída: 100m2
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Arquitetura e Interiores: Rodolfo Marques e Larissa Pontes
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Fotografias: Cauã Costa
